"Quanto a Melina, eu também a entendia. Tinha experimentado a alegria do amor por aquele homem tão distante da média: um fiscal de trem, mas também um poeta, um jornalista. A mente frágil de Melina não conseguira readaptar-se à normalidade bruta de sua vida sem ele. Eu me comprazia nesses pensamentos. Naqueles dias estava contente com tudo, com meu amor por Nino, com minha própria tristeza, com o afeto de me sentia cercada, com minha própria capacidade de ler, pensar e refletir em solidão".
"Lila sabia falar por meio da escrita; diferentemente de mim quando escrevia, diferentemente de Sarratore em seus artigos e poesias, diferentemente até de muitos escritores que eu tinha lido e lia, ela se expressava com frases de um extremo apuro, sem nenhum erro, mesmo sem ter continuado os estudos, mas - além disso - não deixava nenhum vestígio de inaturalidade, não se sentia o artifício da palavra escrita. Eu lia e, ao Mesmo tempo, podia vê-la, escuta-la. Sua voz era um fluxo que me arrebatava e me transportava como quando discutíamos entre nós, e no entanto era inteiramente deputada das escórias de quando se fala, da confusão oral; tinha a ordem viva que eu imaginava devesse caber ao discurso dos que tivesse a sorte de nascer da cabeça de Zeus...".
A Amiga Genial - Elena Ferrante
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